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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Neoconservadores em conserva

Imagem: https://www.instagram.com/maoepapel

Pois é, mais uma vez cristãos ficaram incomodados com um desfile de carnaval. Eu só soube da "afronta" realizada pela Acadêmicos de Niterói via mensageiro, pois durante o recesso de feriado eu estava desconectado.

A ala 22 da comunidade usou o humor "para caracterizar os chamados 'neoconservadores'", e, dentro deste nicho, colocaram os evangélicos. Essa generalização é complicada por dois motivos: a esquerda é incapaz de dialogar com o público evangélico; o termo evangélico não comporta toda cristandade. Contudo, essa generalização é gratuita? Infelizmente, não. O cristianismo virou sinônimo de neoconservadorismo. Ou seja, só há possibilidade de ser cristão sendo parte de um determinado espectro político. Muitos eisegetas até usam o texto de Eclesiastes 10:2.¹ Porém, cristianismo nunca foi sobre políticas partidárias (Jo 18:36; Mt 13:47; 10:2-4).

Já os que se sentiram ofendidos pela caricatura disseram: escárnio, ridicularização, ataque à fé e à família, politicagem e crime eleitoral.

Tenho duas perguntas: o samba e todo o seu universo nunca sofreram chacota da parte dos crentes em Jesus? Um samba enredo baseado na história do atual presidente é crime eleitoral, mas a participação do ex-presidente na Marcha para Jesus não? É preciso pensar.

Vi as redes sociais abastecidas com publicações que rebatiam a afronta dos sambistas, mas, não vi manifestações sobre o caso Epst3in e o da mulher atropel@da e arr@stada pelo ex-namorado em Morro do Pilar, MG no dia 15/02. Abus0 contra menores e vi0lênci@ contra mulher deveriam ser pautas importantes para as famílias, não? Se a família é realmente um núcleo valioso, por que o legislativo conservador resistiu tanto à isenção do imposto de renda para quem ganha até R$5.000 e se mantém apático sobre o fim da escala 6x1?

Os cristãos deveriam estar preocupados com a manutenção do reino de D-s instaurado por Cristo (Mt 4:17; 6:10, 33). "[…] reino que é imprevisível, dinâmico, centrado em Jesus, que busca justiça, cheio de compaixão e misericórdia, que acolhe qualquer um e todos, que toca o coração e a alma, que se estabelece na terra como no céu" (Gupta, p. 31).

Que toda indignação seja uma resposta a toda injustiça assistida.


1. As palavras direita (yamin) e esquerda (semol) poderiam ser traduzidas como sul e norte. A ideia do autor do texto de Eclesiastes é fazer uma oposição de direções, e não defender os conceitos políticos de direita e esquerda que surgiriam 24 séculos depois do seu texto. Se essa fosse sua ideia original, o que faríamos com Provérbios 4:27?

quarta-feira, 30 de julho de 2025

conviver é privilégio

 

A ideia de Deus habitar em nosso meio pode soar inédita porque ela é mencionada em Apocalipse 21 e, consequentemente, isso ainda não se concretizou. Entretanto, a descrição da cidade-templo no capítulo 21 da Revelação de Jesus Cristo, com um jardim, fonte de águas, pedras preciosas e Deus andando, é uma clara alusão ao Éden (Gênesis 1:10-14; 3:8). E, por fim, ambas as descrições estão em paralelo com o detalhamento do antigo tabernáculo/santuário. Ou seja, o Éden, o Santuário e a Cidade Santa são todos templos.

A principal justificativa para a criação desses espaços sagrados lemos em Êxodo 25:8: “E farão para mim um santuário, para que eu possa habitar no meio deles.” De fato, o objetivo de Deus sempre foi o companheirismo, a tal ponto dEle se fazer carne (João 1:14).

No início do livro de Marcos, o evangelista cita uma profecia de Isaías 40. O texto do antigo profeta sobre a Sião restaurada diz: “... aí está o seu Deus” (v. 9). Jesus, o Deus encarnado, um ser humano, um santuário, é o Deus que habita no meio de nós (Mateus 1:23). Em Jesus, temos a oportunidade de desfrutar do companheirismo com Deus. Conviver com Jesus agora não é uma condição para a eternidade, é um privilégio.

Se o companheirismo com Deus é o propósito principal de tudo o que vivemos: o plano da redenção, as promessas, as profecias, a escatologia (o estudo das últimas coisas). Se tudo isso caminha para o companheirismo final com Deus, então, se isso não existisse, o novo céu e a nova Terra não teriam graça.

“Enquanto Jesus estiver naquela cidade, eu quero estar lá!” (There - Leonardo Gonçalves)


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

andar é conhecer

O conhecimento no mundo ocidental é particionado, atomizado, a fim de que possa ser esmiuçado, para que seja plenamente absorvido. Contudo, na Bíblia Hebraica, o conhecimento de (e sobre) Deus tem alguns pressupostos. Primeiro, Deus é quem toma a iniciativa de se relevar, de se tornar conhecido aos humanos. Segundo, conhecimento nas Escrituras pode ser entendido como relacionamento. Ou seja, conhecer é se relacionar.

Aqui, a história de Enoque pode nos ajudar. Ele é descrito como aquele que “andou com Deus”. “Andar com” descreve uma ênfase na comunhão e no companheirismo. Ou seja, andar é conhecer.

Porém, mais importante do que nossa iniciativa de andarmos com Deus, é o fato de que Ele anda conosco.

Frequentemente o uso do verbo “andar” no Antigo Testamento é para descrever a vinda do Senhor ao seu povo em bênção, especialmente durante a peregrinação pelo deserto, onde lemos: “O Senhor andava adiante deles” (Êxodo 13:31).

O desejo de Deus sempre foi andar conosco, habitar em nosso meio.